quarta-feira, 31 de outubro de 2007
O MAAT agora é internacional. / MAAT goes international
Spending our time (Enchendo Lingüiça)
About two weeks ago, I heard the following statement from a 10 year old boy whose parents are separated: “ My dad doesn’t spend time with me. Every time I spend a day with him, instead of talking or doing something with me, we go to the beach and he hangs out with the grown ups. It’s the same as nothing.”
I was devastated. Not only by the boy’s situation, but by his perception that even though he spends time with his dad, this time is badly used. This week I’ll suggest an activity for busy parents interested in creating “their moment” with their children while stimulating a very healthy habit: Reading.
It doesn’t matter how old your children are, books can be an excellent instrument for bonding with them. The little ones who can’t read by themselves yet, will certainly love to have stories read to them, especially if the parents get in the mood and make up different voices, point out details in the pictures and stimulate their children’s logical thinking with questions about the story.
The older ones might enjoy a longer book, read with the parents, a chapter every night.
The whole group might take turns reading and in picking the next book. I had a very rewarding experience while taking turns to read with Sebastian, one of the children I cared for in Germany. Whenever we read in German, he would get two pages and I (due to my horrible pronunciation) one. We could look up the meaning of a new word together in the dictionary and sometimes we would dictate passages of the stories. When we decided to start reading Harry Potter in English during summer vacation, we inverted the amount of pages and a few days later, Klara, Sebastian’s 3 year old sister joined us in our reading sessions.
Let the children pick the next books, turn that trip to the bookstore or library into a hunting adventure! And maybe, why not suggesting they write their own stories and read it together later? Books can be used to work new concepts and ideas, stimulate imagination and abstract thinking and our little ones will only thank us for that! So? Are you ready for the next adventure?
Text and translation: Marina Ramalho
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Enchendo Lingüiça

Eu sou uma ferrenha defensora do “quality time” entre pais e filhos. Principalmente depois que cuidei de crianças alheias e percebi como significava para elas aquele nosso momento juntos, fosse ouvir uma estória na hora de ir para a cama, ou me ajudar a preparar o lanche ou assistir um filme juntos.
Há cerca de duas semanas ouvi o seguinte comentário de um menino de 10 anos, filho de pais separados: “ Meu pai nem passa tempo comigo. Toda vez que vou passar o dia com ele, ao invés de conversar ou fazer alguma coisa comigo, a gente sai para a praia e ele fica tomando cerveja. É o mesmo que nada.”
Fiquei arrasada. Não só com a situação do garoto, mas da sua percepção de que embora passe tempo com seu pai, este tempo é muito mal utilizado. No enchendo lingüiça de hoje darei uma sugestão de atividade para pais muito ocupados, interessados em criar o “seu momento” com os filhos e ainda por cima estimular um hábito muito saudável: Leitura.
Não importa a idade de seus filhos, livros podem ser um excelente instrumento de conexão com eles. Os que ainda não podem ler certamente gostarão de ouvir estórias principalmente se os pais entrarem na onda e criarem vozes diferentes, apontarem detalhes nas gravuras e estimularem o raciocínio dos pequenos com perguntas sobre a estória.
Já os mais velhos podem gostar de um livro um pouco mais longo, lido em conjunto com os pais, um capítulo por noite. Todos podem se revezar na leitura e escolha do livro seguinte.
Tive uma experiência muito gratificante ao fazer revezamento de leitura com Sebastian, uma das crianças de quem cuidei na Alemanha. Quando líamos em alemão ele costumava ler duas páginas e eu (devido à minha pronúncia terrível) uma só. Procurávamos juntos no dicionário o significado das palavras novas e às vezes fazíamos ditados depois. Quando decidimos encarar a leitura de Harry Potter em inglês durante as férias de verão, invertemos a quantidade de páginas lidas e depois de alguns dias, Klara, sua irmãzinha de três anos, começou a nos acompanhar.
Deixe que eles ajudem na escolha dos livros lidos, faça da ida mensal à livraria uma aventura de caça! E por que não incentivar seus pequenos a criarem suas próprias estórias e lerem juntos depois? Livros podem ser usados para trabalhar novos conceitos e idéias, estimular a imaginação e o pensamento abstrato e nossos pequenos só têm a agradecer! E então? Prontos para embarcar na próxima aventura?
Texto: Marina Ramalho
domingo, 28 de outubro de 2007
Sushi com Feijoada
Dando início, ela fala do seu nascimento como mãe e um pouco sobre participar do Grupo MAAT.
Oi, sou a Flávia, paulistana, casada com o japonês Terumasa, desde Novembro de 200
1. Trabalhava como analista de logística em uma firma de comércio exterior no Brasil e larguei tudo pra viver ao lado da pessoa que fez meu coração bater mais forte.
Resolvi engravidar no final de 2003, digo no singular porque maridon queria um bebê “pra ontem”, mas demorei um tempo para me sentir segura para encarar uma gravidez aqui no Japão. Antes, não dominava a língua, não conseguia entender os costumes, enfim, não me sentia confortável para tal "empreendimento". Primeiro precisei lidar com um turbilhão de sentimentos negativos, que não me permitiam criar vínculo com o lugar. Depois de começar a me adaptar ao modo de viver e estar trabalhando como professora assistente de estudos sobre genética e câncer da universidade local foi que me senti preparada para a gravidez. Mal sabia que não estava pronta para a maternidade, coisa nenhuma!
A primeira tentativa não teve sucesso, o feto não se desenvolveu. Senti-me péssima, me achando incapaz até de gerar um filho, mas passados quatro meses da cirurgia, consegui engravidar novamente e finalmente um serzinho começou a crescer no meu ventre, me enchendo de alegria e, por que não, de esperanças por um futuro melhor preenchido?
A gestação seguia maravilhosa, com o filhote (um menino, o que ainda é muito valorizado nessa sociedade paternalista) se desenvolvendo muito bem, até que na 34ª semana de gestação a bolsa se rompeu. Como as clinicas japonesas, de modo geral, só fazem partos vaginais, e são aptas apenas a fazer partos com bebês a partir de
Era a primeira vez em que nevava naquele 23 de Dezembro de 2004 e senti que era um pressagio de que tudo sairia bem. O Caio nasceu com apenas
Durante todo esse tempo, eu levava leite materno todos os dias e podia passar varias horas na UTI, precisando ir embora quando começasse a escurecer. Como o filhote passava o dia e a noite toda no hospital, eu não sabia o que era rotina, nem sobre as necessidades de sono e tudo o mais, além de não ter idéia do que me esperava quando ele tivesse alta. Para piorar, não sabia como dar de mamar, já que ele tomava o meu leite na mamadeira, e nas vezes que eu ia amamentar, levava um bico de silicone pra adaptar ao mamilo, que não estava formado por falta do estimulo da sucção.
Finalmente, Caio teve alta depois de quase um mês de nascido e levamos aquele ser minúsculo pra casa dos meus sogros, onde passamos quase dois meses, já que ainda estava me recuperando do parto e trabalhando. Na época, achava que os bebês dormiam o tempo todo, acordando apenas pra mamar e sem perceber, o meu filhote tinha uma espécie de rotina, porque levávamos ele pra sala assim que acordávamos, dava de mamar (demorei quase 3 meses pra finalmente aprender a dar de mamar sem usar o adaptador de silicone), brincava com ele e a sogra dava banho sempre no mesmo horário.
Quando voltamos para a nossa casa, tive que me virar de repente, cozinhando, cuidando da casa, lavando, passando, enfim, tudo que já fazia antes, mas sem o Caio! Senti-me perdida, não conseguia organizar a casa nem cuidar direito do meu tesouro que começou a trocar o dia pela noite.
Pouco antes dessa época, ao pedir ajuda para conseguir amamentar, em uma comunidade do Orkut, a Catarina (que também está no MAAT) me indicou o Grupo Virtual de Amamentação (outra comunidade do site). Indo ao perfil da Catarina pra agradecer, me deparei pela primeira vez com a comunidade Soluções Para Noites sem Choro. O grupo MAAT foi criado a partir do vínculo de amizade que cresceu aos poucos entre participantes da Soluções e que o orkut e o msn não conseguiam mais dar conta. No grupo, podemos chorar as pitangas, dar risadas e sofrer juntas, como verdadeiras amigas que somos, não só no âmbito virtual.
Sei que aprendi e ainda estou aprendendo a ser mãe aos poucos. Muitas vezes quero sumir, mas ao ver o meu pequeno sorrindo, volto à realidade e percebo o quão sou feliz. Muito, mas muito, feliz.
Beijins.
Flá e cia.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Memórias de uma babá em Notting Hill
Meu coração ainda aperta com as memórias recentes daquelas tardes de sol e suco em Notting Hill. São lembranças doces como framboesas, morango, maçã e frozen yogurt. Lembranças boas, que deixaram um gosto doce que não quer sair da boca, que fazem você ouvir violinos ao fechar os olhos, que fazem você chorar ao pensar em cada momento maravilhoso que foi vivido... E foi em uma daquelas tardes que eu conheci Amália.
Eu nunca tive a intenção de ser babá durante a minha estada no Reino Unido, apesar de sempre ter adorado crianças. Vê-las entrando e saindo do *juice bar* sempre foi divertido, algumas não queriam tomar o suco, outras queriam muito suco, mesmo não sendo capazes de beber tudo, outras gostavam das cores da loja, achavam o ambiente bonito e alegre, pra algumas tomar o smoothie ( espécie de vitamina de fruta congelada) na colher como se fosse sorvete era simplesmente o máximo.
O dia era 13 de agosto de 2003, a cidade fervia de calor, todo mundo queria um suquinho pra refrescar. Aquela não foi a primeira vez que eu vi Amália, pois ela costumava ir à loja todas as tardes com sua mãe, mas lembro muito bem dela tentando entrar na loja com passos desajeitados, camiseta *I love NY* e sabendo muito bem o que queria, me encontrar. Sim, naquele dia eu fiquei sabendo que Amália apontava pra loja toda vez que passava por perto, naquele dia ela completava um aninho, naquele dia Amália bebeu um suco de maçã com framboesa no canudinho pela primeira vez em sua vida e esse momento foi celebrado como um presente.
A partir daí nos tornamos inseparáveis e todas as tardes de primavera, outono e inverno passaram a ser lindas tardes de sol e suco em Notting Hill.
Crônica por Ana Beatriz Gondim
Foto: Digital Vision – Parents and babies
A nova coluna quinzenal do MAAT, assinada por Ana Beatriz Gondim contará um pouco do relacionamento da autora com as crianças das quais cuidou durante dois anos em Londres. A coluna será postada nesta quarta feira por razões excepcionais, mas a partir da próxima semana alternará as segundas feiras com a coluna Enchendo Lingüiça. Aproveitem!
terça-feira, 23 de outubro de 2007
O Lado Negro da Maternidade
Quem nunca viu a mãe entrando no banheiro feminino do shopping, acompanhada pelo filho? É uma cena tão comum, que mesmo ainda levando Rafael ao banheiro feminino, aos 7 anos, ninguém se incomoda. Mas no dia em que eu tive que entrar no banheiro masculino, tudo mudou de figura.
Em uma noite de domingo, após o clássico cinema, seguido de lanche, estávamos caminhando para a saída, quando ouço Rafael, na época com 3 anos, dizer: “Mamãe, quero fazer cocô. E tem que ser agora!”. E, convenhamos, se toda mãe pudesse controlar, faria os filhos só precisarem usar o banheiro de casa.
Chegando na frente
da porta do banheiro feminino, nos deparamos com uma placa: “INTERDITADO”. Ainda sugeri que fôssemos até o outro banheiro, mas fica no outro extremo do shopping e Rafael logo me alertou que não conseguiria continuar limpo durante todo o trajeto. Como não tinha alternativa (nem fralda descartável ou cueca limpa para trocar), resolvi invadir o banheiro masculino. Abri a porta, perguntei umas três vezes se tinha alguém lá dentro e, como ninguém respondeu, entramos. Para garantir que nenhum homem apareceria enquanto estávamos lá, Marina, que estava nos acompanhando, ficou na porta.
Enquanto Rafael dava conta de suas necessidades fisiológicas, eu não sabia se ria ou se chorava. Primeiro foram os pedreiros que estavam trabalhando na ampliação do shopping, que me viram lá dentro e começaram a gritar “Tem mulher no banheiro masculino!”, “Ô, fulano, avisa à administração!” e “Moça, não pode entrar aí, viu?”. Até que um deles teve a brilhante idéia de me perguntar o que eu estava fazendo lá e, após eu dar a resposta, me senti brincando de telefone sem fio, já que eles começaram novamente a gritar: “Ela está acompanhando o filho”, “Ah, tem uma criança também, é?” e “Mas o banheiro feminino não está interditado?”. Resumindo: ninguém se entendia e eu não podia apressar Rafael, apesar de nunca ter torcido tanto para que ele resolvesse rápido aquele assunto.
Pouco depois do papo com os pedreiros, entram no banheiro o administrador e um segurança do shopping, dizendo terem estranhado a menina parada na porta, barrando todos os homens. Eles entenderam a situação prontamente e até levaram com bom-humor, afirmando que Marina estava fazendo um ótimo trabalho como segurança e podia até pedir um emprego lá, se estivesse interessada.
Quando, enfim, Rafael terminou a sua “obra”, saímos de lá nos despedindo dos pedreiros. E na volta para casa, Marina ainda revelou que aproveitou a situação para paquerar um dos carinhas que ela tinha barrado na porta do banheiro.
E que a força esteja conosco!
Texto: Sílvia Ribeiro Dantas
Figuras: retiradas da internet
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Psicologia
Quando fui convidada a escrever neste site pensei que tipo de coluna poderia ter. E logo concluí que a única forma que faria isso funcionar para mim seria tentar manter alguma semelhança com que encontro na clínica (notem que eu disse alguma): acolher dívidas, perguntas, desesperos, tristezas e alegrias e não propor soluções. Isso mesmo. As pessoas costumam procurar o psicólogo na esperança de que ele (ou ela) vai dar A resposta, aquela que vai fazer tudo dar certo. Mas psicólogo não tem bola de cristal e não deve sair dizendo aos outros como viver, entre outros motivos, porque não tem como saber o que é melhor para cada um. Essas soluções são encontradas ao longo de um longo trabalho que não visa um final feliz ideal, mas um final possível para cada um. Nesse sentido, o que um psicólogo pode fazer é escutar, devolver questões, propor uma nova forma de enxergar um problema e daí, ver o que acontece.
Então, como o nome diz, essa coluna pretende ser uma “zona de fala livre”, ou seja um espaço para a discussão de vários temas que interessem ao público deste site – as mães que trabalham. E os temas podem ser os mais variados possíveis, porque nem só de filhos vive uma mãe.
Fico esperando então as perguntas, sugestões, histórias que vocês queiram compartilhar!
Até a próxima,
Aline Maia – Psicóloga CRP 13/ 4926
nineb@hotmail.com