segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Enchendo Lingüiça







Todos sabem que crianças não param nunca! E quando estão entediadas pode apostar que irão procurar o que fazer, seja brigar com o irmãozinho, jogar futebol na sala ou dar banho nas Barbies na pia do banheiro (eu adorava fazer isso). Para evitar que aquela tarde de folga se transforme num martírio que tal planejar uma tarde de brincadeiras com os colegas? Crianças também precisam de tempo para socializar e esta alternativa também permite aos pais terem o seu tempo livre enquanto estão de olho nos pequenos.
Bastante populares, as tardes de brincadeiras na casa dos colegas não precisam de idade certa para começar a acontecer, mas podem se tornar uma atividade social prazerosa tanto para as crianças quanto para os pais. Alguns grupos se tornam praticamente oficiais, reunindo-se em dias marcados em períodos regulares (semanais, quinzenais, mensais). O rodízio das casas também é interessante, pois cada encontro é organizado por uma das famílias. A seguir, um guia simples de como organizar uma tarde divertida para os seus pequenos:
Avise aos pais com antecedência, para que todos possam se programar. Caso deseje, convide também os pais, para que vocês também tenham seu momento. No caso de crianças menores de três anos, é essencial que os pais estejam presentes.
Delimite um número de crianças e evite que o grupo tenha idades muito diferentes.
Crianças se entediam facilmente, portanto tenha muitas opções disponíveis para eles: quebra-cabeças, brinquedos, uma caixa com adereços divertidos para um desfile, livros e uma mesinha com lápis de cor e papel caso desejem se aquietar um pouco. A ordem é deixá-los à vontade, para que interajam e se divirtam à sua maneira, mas é sempre uma boa idéia dar uma olhadinha de vez em quando.
Na hora do lanche, sirva coisas simples que não requeiram talheres ou sujem muito. Biscoitos e frutas são uma boa opção, ou quem sabe coloque um filme e sirva uma pipoca para que fiquem quietinhos. Ah, claro... Como se isso fosse possível né?


Marina Ramalho

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Crônicas de uma babá em Notting Hill



Duas semanas, quatro dias, oito horas, quarenta e três minutos e 39 segundos. Esse era o período recorde que Amália havia conseguido ficar sem usar fraldas, o que significava que todas as vezes que ela precisava ir ao banheiro fazer *wee wee*, ela me pedia pra leva-la até lá. Nada mais justo que sair sem usar fraldas, pois com dois aninhos e meio, ela já era quase uma mocinha.
Fazia muito frio e mesmo assim Amália decidiu que queria *encontrar Nemo*, ao contrário do que vocês devem imaginar nós não estávamos indo ao cinema, mas sim ao Aquário de Londres pra ver os peixinhos, não precisa dizer que pra ela todos os peixinhos tinham o singelo nome de Nemo.
Pegamos o ônibus pra Victoria já que o Aquário ficava ali pertinho, em Westminster. Tínhamos uma sacola com tudo que iríamos precisar: maçã, chocolate, suco, lenços... Mas não contávamos com um pequeno grande e mais que obvio detalhe, não estávamos (eu não estava) levando nenhuma roupa extra, nenhuma fralda e é claro que só por causa disso, Amália resolveu, digamos que batizar o ônibus.
Quando percebi o problema já estávamos quase em Victoria depois de um congestionamento enorme. Chovia muito e Amália estava com muito frio e eu desesperada, além de (perdoem o trocadilho) desesperadamente com frio. Eu juro que queria arrumar um jeito de falar sobre isso *lindamente*, mas é difícil transformar xixi em poesia numa hora dessas, por outro lado pra transformar Bia em picolé não custava, e eu não pensei duas vezes antes de tirar o meu casaco e coloca-lo em volta de Amália. Naquele momento de desespero total lembrei dos meus amigos Tadeu e Lisa que tinham um bebê, Teddy e que tomavam conta de um pub ali mesmo em Victoria. O terror invadiu os meus pensamentos, pois na minha cabeça não era certo levar uma criança de menos de três anos de idade pra um ambiente onde serviam bebidas alcoólicas e onde as pessoas fumavam feito chaminé. Como a outra opção possível era pneumonia, resolvi ir até lá e fazer o que tinha que ser feito, encarar o Pub e explicar a situação pra mãe de Amália mais tarde.
A viagem de três minutos da estação até o pub pareceu uma eternidade.Tadeu não estava e Lisa é que estava trabalhando naquela tarde. Assim que ela nos viu, nos levou ao flat deles que ficava em cima do pub, colocou as roupas de Amália pra secar e fez chocolate quente pra nós duas. Amália e Teddy se deram muito bem e ficaram brincando até quase 6 horas da tarde, enquanto eu respirava aliviada depois do susto.
A partir desse dia nunca mais deixei de carregar uma mochila com todos os itens necessários e desnecessários, pra qualquer lugar que nós fossemos.
E Nemo? Ainda não o encontramos, mas quem sabe na próxima...
Crônica de Ana Beatriz Gondim
Foto: Filme procurando Nemo/Disney

Psicologia - Free Speech Zone


O sexo dos anjos I


Uma das coisas mais difíceis no trabalho com crianças – seja ele qual for – é que elas nos colocam frente às nossas dificuldades mais íntimas e desconhecidas. E uma das dificuldades que costumam ser relatadas por quem se ocupa das crianças é em relação à sexualidade. Por que é tão difícil?
Esse é um capítulo muito extenso e complexo (porque complexa é a sexualidade humana) e me ocuparei no momento de um caso, que é o caso de muitos.
Uma colega que atualmente é au pair comentou comigo que já se percebeu que a criança da qual ela cuida se masturba. A criança tem cinco anos e isso a desconcertou. “Ela é muito pequena para essas coisas” ela disse. O que ela fez? Fez de conta que não viu. A criança sabe que ela viu, e ela sabe que viu. Diante disso, o que fazer?
A criança que descobre que sim, existem partes desconhecidas no seu corpo e sim, mexer nelas pode ser divertido e estranho, precisa ser orientada. Precisa saber que aquilo é normal, acontece com todo mundo, mas que é feito dentro de ambientes privados.
A sexualidade infantil precisa ser cuidada, orientada, e tratada com toda a naturalidade que for possível a quem está se ocupando dela. Nomear as coisas, falar sobre o assunto quando ele surge não é estimular precocemente. É permitir que esse assunto não se torne mais tabu do que já é naturalmente.
Recentemente vi uma menina de nove anos, vestida com uma roupinha sexy de diabinha numa festinha de Halloween da escola e sua mãe dizendo que tirasse fotos com o tridente que ela carregava, fazendo poses dignas de um ensaio fotográfico para a Playboy tween. Vai chegar a hora de ser sexy, de fazer poses e tudo mais. Deixar que uma criança se exponha assim não é ser moderna ou estar “O.K” com a sexualidade da filha, é estimular algo que a criança não está pronta para lidar. O momento vai chegar, mas precisa ser agora?

Aguardo seus comentários e se quiserem compartilhar, seus causos.
Até a próxima.

Aline Maia – nineb@hotmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Educação



Quanto antes melhor

O mercado de trabalho exige cada vez mais diferencial. E a corrida por qualificação está começando cada vez mais cedo. Se alguns anos atrás, estudar inglês era considerado supérfluo hoje é cada vez mais comum encontrar crianças que mal saíram do jardim de infância nos cursos de idiomas. Afinal? Existe fundamento para a idéia de que crianças realmente aprendem línguas mais facilmente?
Segundo a professora Luciana Monteiro, que há 12 anos trabalha com o ensino de inglês para crianças, crianças expostas a um ou vários códigos lingüísticos ainda na primeira infância, desenvolvem o pensamento abstrato, além de terem um incrível ganho cultural e social.
“ Crianças até os 4 anos, possuem as chamadas “janelas” do conhecimento . Tudo o que vêem, aprendem instantaneamente. A partir desta idade, a língua mãe já está estruturada como código principal, e as janelas começam a se fechar. Elas aprenderão outros idiomas, certamente, mas não com a mesma facilidade”.
A escola Open Doors, da qual Luciana é orientadora pedagógica, tem tido muito sucesso com um programa de ensino voltado às crianças não alfabetizadas, utilizando um método bastante lúdico, criativo e interessante para captar a atenção e despertar a paixão dos pequenos pelo idioma. (Foto abaixo). A escola iniciou um projeto piloto com crianças em torno de 1 ano e meio e segundo Luciana, está tendo resultados bastante positivos.
Para os pais que desejam um programa ainda mais intensivo, há a opção das chamadas escolas bilíngües, que geralmente seguem um currículo diferente, completamente ministrado no segundo idioma. A estudante de pedagogia, Susie Soares conta que optou por colocar o filho Yohan, de oito anos, numa escola bilíngüe porque deseja fazer uma pós-graduação na França em 2009, e quer que o filho se sinta confortável com o novo idioma. Ela diz que Yohan sofreu um pouco com a adaptação, mas hoje está bastante feliz na nova escola:
“No inicio, estava um pouco 'observateur', como foi colocado pela diretora Mireille, que é francesa. Não se entrosava muito, e ficava 'na dele'. Não compreendia nada das aulas de historia, geografia e até matemática que são também ministradas em francês. Quando eu falava com ele em francês, ele tinha uma barreira grande, não queria ouvir. Mas após o primeiro semestre, ele foi se identificando, e agora está gostando muito. Já consegue se expressar, fez novos amigos, alguns franceses, e nem se importa mais em trocar frases em francês comigo.”
Na hora de decidir se chegou o momento certo para os seus pequenos, o mais importante é respeitar os limites de cada uma e evitar forçar a nova situação. Vale lembrar que crianças aprendem mais quando se sentem estimuladas e felizes.
Texto e fotos: Marina Ramalho

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O MAAT agora é internacional. / MAAT goes international


A partir de agora, o MAAT é bilíngue e a maioria das matérias e colunas estarão disponíveis também em inglês. Não deixem de ler! MAAT now is bilingual and most of our articles and columns will also be available in English. Keep tuned!

Spending our time (Enchendo Lingüiça)

I’m a great defender of quality time between parents and children. Specially after caring for kids who were not my own, I realized how much it meant for them to have that little moment together, whether listen to a bedtime story, help me prepare a snack or maybe watch a movie together.
About two weeks ago, I heard the following statement from a 10 year old boy whose parents are separated: “ My dad doesn’t spend time with me. Every time I spend a day with him, instead of talking or doing something with me, we go to the beach and he hangs out with the grown ups. It’s the same as nothing.”
I was devastated. Not only by the boy’s situation, but by his perception that even though he spends time with his dad, this time is badly used. This week I’ll suggest an activity for busy parents interested in creating “their moment” with their children while stimulating a very healthy habit: Reading.
It doesn’t matter how old your children are, books can be an excellent instrument for bonding with them. The little ones who can’t read by themselves yet, will certainly love to have stories read to them, especially if the parents get in the mood and make up different voices, point out details in the pictures and stimulate their children’s logical thinking with questions about the story.
The older ones might enjoy a longer book, read with the parents, a chapter every night.
The whole group might take turns reading and in picking the next book. I had a very rewarding experience while taking turns to read with Sebastian, one of the children I cared for in Germany. Whenever we read in German, he would get two pages and I (due to my horrible pronunciation) one. We could look up the meaning of a new word together in the dictionary and sometimes we would dictate passages of the stories. When we decided to start reading Harry Potter in English during summer vacation, we inverted the amount of pages and a few days later, Klara, Sebastian’s 3 year old sister joined us in our reading sessions.
Let the children pick the next books, turn that trip to the bookstore or library into a hunting adventure! And maybe, why not suggesting they write their own stories and read it together later? Books can be used to work new concepts and ideas, stimulate imagination and abstract thinking and our little ones will only thank us for that! So? Are you ready for the next adventure?

Text and translation: Marina Ramalho

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Enchendo Lingüiça


Enchendo lingüiça

Eu sou uma ferrenha defensora do “quality time” entre pais e filhos. Principalmente depois que cuidei de crianças alheias e percebi como significava para elas aquele nosso momento juntos, fosse ouvir uma estória na hora de ir para a cama, ou me ajudar a preparar o lanche ou assistir um filme juntos.
Há cerca de duas semanas ouvi o seguinte comentário de um menino de 10 anos, filho de pais separados: “ Meu pai nem passa tempo comigo. Toda vez que vou passar o dia com ele, ao invés de conversar ou fazer alguma coisa comigo, a gente sai para a praia e ele fica tomando cerveja. É o mesmo que nada.”
Fiquei arrasada. Não só com a situação do garoto, mas da sua percepção de que embora passe tempo com seu pai, este tempo é muito mal utilizado. No enchendo lingüiça de hoje darei uma sugestão de atividade para pais muito ocupados, interessados em criar o “seu momento” com os filhos e ainda por cima estimular um hábito muito saudável: Leitura.
Não importa a idade de seus filhos, livros podem ser um excelente instrumento de conexão com eles. Os que ainda não podem ler certamente gostarão de ouvir estórias principalmente se os pais entrarem na onda e criarem vozes diferentes, apontarem detalhes nas gravuras e estimularem o raciocínio dos pequenos com perguntas sobre a estória.
Já os mais velhos podem gostar de um livro um pouco mais longo, lido em conjunto com os pais, um capítulo por noite. Todos podem se revezar na leitura e escolha do livro seguinte.
Tive uma experiência muito gratificante ao fazer revezamento de leitura com Sebastian, uma das crianças de quem cuidei na Alemanha. Quando líamos em alemão ele costumava ler duas páginas e eu (devido à minha pronúncia terrível) uma só. Procurávamos juntos no dicionário o significado das palavras novas e às vezes fazíamos ditados depois. Quando decidimos encarar a leitura de Harry Potter em inglês durante as férias de verão, invertemos a quantidade de páginas lidas e depois de alguns dias, Klara, sua irmãzinha de três anos, começou a nos acompanhar.
Deixe que eles ajudem na escolha dos livros lidos, faça da ida mensal à livraria uma aventura de caça! E por que não incentivar seus pequenos a criarem suas próprias estórias e lerem juntos depois? Livros podem ser usados para trabalhar novos conceitos e idéias, estimular a imaginação e o pensamento abstrato e nossos pequenos só têm a agradecer! E então? Prontos para embarcar na próxima aventura?


Texto: Marina Ramalho

Foto : Marina Ramalho, Klara e Philine Ebhardt, Elena e Tessa Hughes.